Filmografia sobre Jornalismo Literário #3

O amplo universo do Jornalismo Literário engloba também uma lista de filmes que norteiam o gênero. Profissão respeitada e valorizada nos EUA ( centro cinematográfico mundial), o jornalismo, e suas vertentes, ganham destaque das produções de cinema. Na lista abaixo, continuamos a série “Filmografias sobre Jornalismo Literário” e lançamos a lista de número 3. Como sempre, a lista contém cinco filmes entre ficção, documentários e histórias baseadas na realidade de produções nacionais e estrangeiras. Confira:

1 – Gonzo: um delírio americano, 2008, EUA

Hunter S. Thompson pode ser, dependendo do ponto de vista, sinônimo de gênio ou louco, porém entrou para história do jornalismo com sua aclamada obra e estilo de escrita apurada, original e ácida. Considerado uma das últimas vozes realmente independentes do jornalismo nos EUA, Thompson, criou o estilo “Gonzo”, que usou para criticar o sistema vigente. Em um contexto de contracultura efervescente (anos 60) levou às últimas conseqüências a doutrina de sexo, drogas e rock n’roll. Por outro lado, andava armado e foi membro da conservadora associação de lobbistas de armas NRA. O documentário “Gonzo: um delírio americano” apresenta depoimentos de amigos e parentes, material de arquivo e citações de textos inéditos. Com a narração do ator Johnny Depp (amigo íntimo de Hunter Thompson) o documentário se debruça sobre o período mais provocador e produtivo do autor do livro célebre “Medo e Delírio em Las Vegas”.

hunter thompson - jornalismo gonzo

Thompson e seu inseparável cigarro

 

2 – Guerra de Canudos, 1997, Brasil

Baseado na obra máxima “Os Sertões”, do jornalista e escritor Euclides da Cunha, o filme retrata o Brasil pós proclamação da República e envolto em agitação política. O filme conta a história da Guerra de Canudos, um dos maiores crimes contra os direitos humanos cometido no País, sob a ótica de uma família de sertanejos que, após terem seus bens confiscados sob alegação de arrecadação de tributos pela República, ficam na miséria e resolvem seguir o famoso peregrino Antônio Conselheiro (José Wilker). A história se passa no sertão da Bahia, região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico e que passava por uma grave crise econômica e social. Nesse contexto, milhares de sertanejos e ex-escravos partiram para Canudos, cidadela liderada por peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social. O filme mostra a cobertura feita por Euclides da Cunha utilizando o personagem Pedro, que assim como o Euclides é um jornalista cobrindo a guerra. O livro “Os Sertões”, fonte importante para a elaboração do filme, é uma obra-prima da literatura e do Jornalismo Literário brasileiro.

José Wilker como Antônio Conselheiro. No livro de Euclides da Cunha: "Ele (Antônio Conselheiro) ali subia e pregava. Era assombroso, afirmam testemunhas existentes. Uma oratória bárbara e arrepiadora, feita de excertos truncados das Horas Marianas, desconexa, abstrusa, agravada, às vezes, pela ousadia extrema das citações latinas; transcorrendo em frases sacudidas; misto inextrincável e confuso de conselhos dogmáticos, preceitos vulgares da moral cristã e de profecias esdrúxulas".

José Wilker como Antônio Conselheiro. No livro  “Os Sertões” ele é descrito por Euclides da Cunha: “Ele (Antônio Conselheiro) ali subia e pregava. Era assombroso, afirmam testemunhas existentes. Uma oratória bárbara e arrepiadora, feita de excertos truncados das Horas Marianas, desconexa, abstrusa, agravada, às vezes, pela ousadia extrema das citações latinas; transcorrendo em frases sacudidas; misto inextrincável e confuso de conselhos dogmáticos, preceitos vulgares da moral cristã e de profecias esdrúxulas”

 

3 – O Mercado de Notícias, 2014, Brasil

“O Mercado de Notícias” é um documentário que, segundo as palavras do diretor Jorge Furtado “traça um painel sobre mídia e democracia, incluindo uma breve história da imprensa, desde o seu surgimento, no século 17, até hoje, destacando seu papel na construção da opinião pública, seus interesses políticos e econômicos”. Recém lançado, o documentário estará disponível, em breve no site www.omercadodenoticias.com.br. Nomes como Geneton Moraes Neto, Janio de Freitas, Luis Nassif, Mino Carta, Cristiana Lôbo, entre outros jornalistas são entrevistados no filme.

o mercado de notícias documentário - jornalismo

 

 

4 – Edifício Master, 2002, Brasil

No ano em que perdemos Eduardo Coutinho, um grande nome do cinema e do jornalismo brasileiro, nada mais simbólico que rever as obras deste documentarista primoroso. O documentário “Edifício Master”, é considerado uma obra-prima pela sutileza de contar o cotidiano de pessoas comuns com um toque de literatura e jornalismo. Eduardo Coutinho filmou durante sete dias o cotidiano dos moradores do Edifício Master, situado em Copacabana, a um quarteirão da praia. 37 moradores foram entrevistados e histórias íntimas e reveladoras de suas vidas são apresentadas.

Edificio-Master-documentário-eduardo coutinho - jornalismo literário

 

5 – Boa noite Boa sorte, 2005, EUA

Guerra Fria. O medo de um conflito entre USA e URSS gera opiniões extremas, medo e muita desonestidade no debate político pelo mundo. No meio do caos da razão, o jornalista Edward R. Morrow (David Strathairn), âncora de TV da CBS que, em plena era do macarthismo, luta para mostrar em seu jornal os dois lados da questão com equilíbrio, aprofundamento e racionalidade. Para tanto ele revela as táticas e mentiras usadas pelo senador Joseph McCarthy em sua “caça” aos supostos comunistas que “ameaçam o país”. O senador, por sua vez, prefere intimidar Morrow ao invés de usar o direito de resposta por ele oferecido em seu jornal, iniciando um grande confronto público que trará consequências à recém-implantada TV nos Estados Unidos. O filme é importante sobre o ponto de vista ético e profissional e serve de exemplo de bom jornalismo.

David Strathairn e sua brilhante interpretação do jornalista Edward R. Morrow

David Strathairn e sua brilhante interpretação do jornalista Edward R. Morrow

 

Veja também: Filmografia sobre Jornalismo Literário #1 e Filmografia sobre Jornalismo Literário #2

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Um pensamento sobre “Filmografia sobre Jornalismo Literário #3

  1. Imitava sem o saber. Imitava muito forte usando ou abusando das cobiças de seu coração, mas imitava sem o saber. Assim apareceu 1900 anos depois nos confins da América do Sul um engenheiro que gostava de escrever, escrevendo imitando – sem o saber – o maior bandeirante do evangelho, o turco de Tarsus, o antigo Saulo…o homem que em dobro um dia emprestou seu nome ao Brasil: São Paulo!…:)

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