Blog Vidas Anônimas: “A vontade de contar histórias e a generosidade em dividi-las”

O título desta matéria apresenta uma frase, que pode ser lida na apresentação do blog “Vidas Anônimas”, espaço independente criado por quatro jornalistas de Maceió (AL), e ajuda a entender resumidamente o objetivo do projeto recém-nascido que já “emplacou” parceria com o jornal “O Dia”, que irá publicar os perfis de anônimos e anônimas, nas páginas do impresso, até o fim deste mês, além de conceder entrevistas para a rede de TV local em Maceió. A equipe responsável por “sujar os sapatos” e ir para as ruas registrar histórias de pessoas anônimas é composta pelos jornalistas Elayne Pontual, Glória Damasceno, Francisco Ribeiro e Ana Cecília.

Na sequência dos quadros: Elayne Pontual, Glória Damasceno, Ana Cecília e Franscisco Ribeiro

Na sequência dos quadros: Elayne Pontual, Glória Damasceno, Ana Cecília e Franscisco Ribeiro

A ideia surgiu para ser uma monografia do curso de jornalismo da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), porém “deu errado” academicamente e certo fora da universidade. Até o momento, o blog já publicou dez perfis de pessoas comuns, com histórias singulares e profundas, engraçadas e sofridas, novelescas e elaboradamente simples, por mais paradoxal que pareça. O projeto ainda “engatinha”, segundo os fundadores do “Vidas Anônimas”, porém as referências profissionais e literárias são sólidas. “Eliane Brum é, possivelmente, o primeiro nome a encabeçar a lista (de referências para a equipe), que também enumera Zuenir Ventura, João do Rio, Caco Barcellos, Lira Neto e os estrangeiros Gay Talese, Truman Capote entre outros. A revista Piauí é outra das grandes inspirações para a realização de nosso trabalho”, afirmam os membros do blog. Consequentemente, a iniciativa é carregada de fatores que remetem ao campo do Jornalismo Literário. Uma lida em seus criativos perfis pode confirmar essa tese.

blog vidas anonimas

O futuro do “Vidas Anônimas”, segundo os jornalistas fundadores, pode ser a concepção de um livro, além de uma investigação sobre a relação entre fama e anonimato (através de uma série de entrevistas com psicólogos, filósofos, jornalistas, escritores etc.). O trabalho do grupo pode ser acompanhado pelo próprio site: vidasanonimas.com.br, Facebook: www.facebook.com/anonimasvidas, Twitter: @vidas_anonimas e Instagram: www.instagram.com/vidasanonimas.

Dois dos quatro integrantes do blog citado na matéria ainda foram entrevistados pelo programa “Feito Pra Você”, da TV TNH1, de Maceió. Veja o vídeo: http://migre.me/kzr28.

Abaixo segue a entrevista exclusiva cedida pelos membros do projeto Elayne Pontual, Ana Cecília, Francisco Ribeiro e Glória Damasceno ao blog que vos informa neste momento: o JL Blog.

 

JL Blog – Muitas técnicas narrativas da literatura estão bem presentes nos perfis de vidas “anônimas” apresentados no site. Qual a importância desse diferencial na transmissão da informação (história de vida dos personagens)?

Elayne Pontual – As técnicas narrativas da literatura, empregadas numa história real, estabelecem uma maior ligação com o leitor, mais instigantes que as fórmulas institucionalizadas usadas no jornalismo diário. É importante porque cria uma interação, uma conexão humana entre o personagem e quem está acompanhando sua história. É um estilo que nos permite elaborar uma compreensão mais ampla do entrevistado, como valores, comportamento e histórico de vida. Quando o leitor se identifica com a pessoa presente num texto jornalístico ele acaba refletindo sobre a própria existência, o que geralmente acontece quando a narrativa jornalística é construída de forma mais humanizada.

Francisco Ribeiro – A literatura e o jornalismo dialogam o tempo todo. Uma boa reportagem precisa de técnicas de texto que vêm da literatura. O resultado são histórias com maior profundidade e fluência, quase como uma conversa com o leitor. Podemos afirmar, na verdade, que os perfis escritos por nós são uma espécie de crônica sobre o cotidiano de gente comum.

Ana Cecília – O que afinal essas pessoas pensam da existência? O que elas escondem em seu anonimato? São perguntas que normalmente não conseguiríamos responder com facilidade no jornalismo factual. O nosso projeto pretende mostrar o que está além do que nos é mostrado diariamente. O diferencial está em não apenas narrar os fatos, mas provocar no leitor uma reflexão, dando voz às mazelas que o mundo, através do ser humano, tem a expor.

Glória Damasceno – A literatura está para o relato humano, como os hormônios para o corpo. É preciso sentir a adrenalina e a dopamina da narrativa para falar de gente. Não dá pra falar de Vida sem fazer uso das conjunções e figuras de linguagem que norteiam cada história.

Além de perfis de pessoas anônimas o o blog VA ainda publica frases (de famosos e anônimos) que giram em torno da "missão" de contar histórias

Além de perfis de pessoas anônimas o blog VA ainda publica frases (de famosos e desconhecidos) que falam da “missão” de contar histórias

JL Blog –  Qual a maior dificuldade em construir o perfil de personagens anônimos?

Elayne Pontual – Não que seja uma dificuldade, mas um grande desafio é não perder a sensibilidade e esvaziarmos nossas visões de mundo, deixar de lado os preconceitos e julgamentos para comunicarmos da forma mais honesta possível a história do outro. É preciso também estar atendo, praticar uma observação intensa, demorada. Outro grande desafio é estabelecer uma identificação entre personagem e leitor e ao mesmo tempo criar um distanciamento, colocar a dose ideal de emoção e auxiliar na compreensão do real.

Glória – O personagem achar que a vida dele não tem nada demais a ser relatado. Ou os julgamentos que a própria fala dele pode imprimir. É delicado lidar com as conclusões e impressões que as afirmações, e negações, às vezes implícitas, podem produzir. Entre outros questionamentos.

Francisco – O risco de não perceber nuances fundamentais dos personagens. É preciso olhar para ver o que está além e escutar o que não é dito somente com palavras.

Ana Cecília – No jornalismo literário não podemos nos prender somente ao que é dito, é preciso saber interpretar as entrelinhas, os gestos e olhares de cada personagem, então um dos maiores desafios na construção desses perfis é a apuração. Precisamos estar muito atentos a esse processo para não deixar escapar nenhum detalhe e conseguir enxergar o que está além, proporcionando ao leitor uma história rica em detalhes e o mais próximo possível do real. Diria que esse é o maior desafio, não exatamente uma dificuldade.

JL Blog – Qual a maior gratificação em contar essas histórias?

Elayne Pontual – Interagir de forma intensa com alguém que, se não fosse o projeto, possivelmente eu nunca conheceria na minha vida é sem dúvidas muito gratificante. Conhecer a história dessas pessoas me permite entender melhor a minha própria existência e ainda podemos dar voz a gente que constantemente é silenciada.

Glória – Dar vez, e voz, as falas que se fizeram mudas, ou que foram caladas. E, sobretudo, sem vaidade, mostrar ao personagem que a vida dele é mais importante do que ele imagina, que ele tem muito a contar.

Ana Cecília – Sempre tive uma queda por narrar histórias de pessoas comuns, por saber o que está escondido por trás de cada personagem, de cada pessoa que está ali do nosso lado, que nem conhecemos, mas que tem histórias de vida extraordinárias para contar. Então, poder penetrar nesses universos particulares é uma experiência maravilhosa, tanto como jornalista, quanto como ser humano, pois só dessa forma eu poderia dar voz aos personagens que não viraram notícias, saindo um pouco do circuito da comunicação, que na maioria das vezes se restringe a entrevistados de plantão.

Garcia Marquez

JL Blog – Quais são as referências/autores que inspiram o trabalho realizado no “Vidas Anônimas”?

Equipe – Eliane Brum é, possivelmente, o primeiro nome a encabeçar a lista, que também enumera Zuenir Ventura, João do Rio, Caco Barcellos, Lira Neto e os estrangeiros Gay Talese, Truman Capote entre outros. A revista Piauí é outra das grandes inspirações para a realização de nosso trabalho.

JL Blog – Tiveram contato com o Jornalismo Literário na universidade?

Equipe – Sim. A disciplina JL é optativa, ou seja, não faz parte da grade curricular obrigatória do curso da Ufal. O perfil dela é mais teórico que prático. Para a maioria dos alunos, nomes como Gay Telese, Truman Capote, Norman Mailer, Hunter S.Thompson etc. eram até então desconhecidos. Recentemente, nós recebemos uma ótima notícia: a aprovação de um Pibic (programa de iniciação científica) voltado para a pesquisa sobre o JL em Alagoas.

JL Blog –  Como vocês veem o mercado jornalístico no Brasil para a prática do jornalismo literário?

Glória – Particularmente, não acho que haja, ainda, muitos espaços como outrora para narrar uma história com a amplidão que ela merece. Mas penso que está tendo um movimento de resgate desses espaços suprimidos pelo imediatismo do atual modo/tempo de noticiar.

Francisco – A revista Piauí é o oásis no meio do deserto editorial no país que se debruça sobre o JL. Os repórteres Daniela Pinheiro, Carol Pires, Plínio Flagra (hoje do jornal O Globo) e Consuelo Dieguez têm textos primorosos. Vale citar a revista São Paulo, da Folha, com seus curtos perfis de famosos e celebridades. Enfim, o mercado é escasso. Mas a internet, com todas as suas possibilidades, está aí.

Ana Cecília – No jornalismo impresso diário, o timing dos jornais não permite a prática do jornalismo literário, então nos restringimos a algumas revistas e a web. Eu enxergo a web de forma muito positiva nesse processo, pois é nesse terreno que o Jornalismo Literário tem espaço para se desenvolver e que alcança bons frutos. No nosso caso, a internet ajudou muito na publicação de nossos textos, claro, mas acima de tudo na disseminação desse conteúdo, principalmente via redes sociais. Portanto, vejo que é no meio digital que reside o grande mercado, tanto para a produção quanto para o consumo de Jornalismo Literário.

JL Blog – Qual a relação de vocês com o gênero jornalístico “Jornalismo Literário”?

Francisco – No JL, o real serve como plano de fundo para o texto de literário. Tal perspectiva foi o que mais me atraiu e até hoje continua me fascinando. Por isso, costumo ler obras de grandes autores do gênero. Através delas aprendo como transpor o real para uma reportagem utilizando-se de recursos estilísticos comuns a literatura.

Ana Cecília: Diria que minha relação é bastante íntima. Desde cedo gosto de literatura e mais tarde, quando descobri que podia aliar isso ao jornalismo, me tornei mais fascinada ainda pelo gênero. Essa capacidade de criar a realidade com um estilo próprio é com certeza um dos pontos que mais me fascina. Eu podia trazer a informação, mas revestida de beleza e reflexão.

JL Blog –  Quais os projetos para o futuro do site?

Equipe – Uma investigação sobre a relação entre fama e anonimato. A questão será discutida através de uma série de entrevistas com psicólogos, filósofos, jornalistas, escritores etc. A gente pretende trazer à tona novas e diferentes perspectivas sobre o assunto. Além disso, gostaríamos de lançar o livro Vidas Anônimas, com conteúdo do nosso blog e produções inéditas também. Ah! Claro, gostaríamos também que mais e mais pessoas lessem essas histórias, que participassem, dessem sugestões, afinal, precisamos também do feedback da audiência. Nosso primeiro momento está sendo muito proveitoso.

JL Blog – Há mais alguma coisa que vocês gostariam de dizer a quem não conhece o “Vidas Anônimas”?

Equipe – O VA é um espaço para treinarmos a nossa escrita, passearmos pelos mais diversos estilos e brincarmos com outras técnicas. Nós estamos engatinhando ainda. Temos uma longa estrada pela frente, mas o primeiro passo já foi dado. Queremos também convidar a todos que não conhecem o projeto a adentrar no universo de nossos personagens e quem sabe, se descobrir a cada linha. Nossos textos são destinados ao leitor que deseja descobrir o que está além.

 

 

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2 pensamentos sobre “Blog Vidas Anônimas: “A vontade de contar histórias e a generosidade em dividi-las”

  1. Pingback: Site de perfis “Vidas Anônimas” lança série especial | Jornalismo Literário

  2. ORAÇÃO PARA QUEBRAR ORGULHO

    FAÇA COM MUITA FÉ. POIS ESSA ORAÇÃO É MUITO FORTE E DEFINITIVA. SÓ FAÇA SE TIVER CERTEZA DO AMOR QUE SENTE POR ELA.

    QUE SÃO MIGUEL QUEBRE AGORA TODO O ORGULHO DO CORAÇÃO DE (WXR), E EXPULSE TODO ESPIRITO DE INVEJA QUE CERCA A VIDA DE (WXR) E AFASTE TODO MAL QUE EXISTA ENTRE NOS DOIS (IPM) E (WXR), PERMITINDO ASSIM A NOSSA RECONCILIAÇÃO IMEDIATA E O NOSSO AMOR PARA SEMPRE.QUE O ANJO SÃO GABRIEL ANUNCIE O MEU NOME (IPM) SUAVEMENTE TODOS OS DIAS NOS OUVIDOS DE (WXR) E FAÇA O ANJO DA GUARDA DE (WXR), TRABALHAR EM FAVOR DA NOSSA RECONCILIAÇÃO E DO NOSSO ETERNO AMOR. QUE O ANJO SÃO RAFAEL CURE TODA MAGOA, TODA RAIVA, TODAS AS MÁS LEMBRANÇAS, TODO O MEDO, TODA INCERTEZA, TODA DUVIDA, TODO RESSENTIMENTO, TODA TRISTEZA QUE POSSA EXISTIR NO CORAÇÃO DE (WXR) QUE IMPEDEM QUE (WXR) SE ABRA IMEDIATAMENTE PARA O NOSSO AMOR E PARA A NOSSA UNIÃO. QUE FAÇA ISSO PARA QUE HAJA A NOSSA RECONCILIAÇÃO IMEDIATA E O NOSSO AMOR ETERNO. ASSIM QUE EU PUBLICAR ESSA ORAÇÃO OS TRES SANTOS ANJOS MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL REUNIRÃO O MEU ANJO DA GUARDA (IPM) AO ANJO DA GUARDA DE (WXR) QUE SE REUNIRÃO SOB A PROTEÇÃO DE NO!
    SSOS ANJOS!
    OS DE CONEXEAO, QUE HÃO-DE TRABALHAR EM FAVOR DA NOSSA RECONCILIAÇÃO E DE NOSSO AMOR.ASSIM QUE EU (IPM) PUBLICAR ESSA ORAÇÃO O CORAÇÃO DE (WXR) SE ENCHERÁ DE ALEGRIA E MUITO AMOR POR MIM (IPM) ANJOS FAÇAM COM QUE O (WXR) SE LEMBRE COM AMOR E EMOÇÃO DAS PALAVRAS BONITAS E CHEIAS DE AMOR VERDADEIRO QUE EU LHE DISSE), E QUE O SEU CORAÇÃO SEJA TOCADO, AMANSADO, RESTAURADO, RENOVADO E ILUMINADO FORTEMENTE PELAS LUZES QUE EMANAM DO SANTO ANJO MIGUEL, SANTO ANJO GABRIEL E DO SANTO ANJO RAFAEL, EXPULSANDO DE PERTO DELE TODO O MAL, FICANDO COM O CORAÇAO DE (WXR) REPLETO DA CHAMA ROSA DA MESTRA ROWENA, ENCHENDO-LHE DE MUITO AMOR POR MIM (IPM), A CADA DIA A CADA INSTANTE MAIS E MAIS. QUE O (WXR) ME PROCURE OU ME LIGUE PARA NOS RECONCILIARMOS. QUE ASSIM SE CUMPRIRÁ EM NOME DE DEUS PAI, DEUS FILHO, DEUS ESPIRITO SANTO. AMÉM. PUBLIQUE E AGUARDE

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