Jornalista utiliza técnicas de JL e leva prêmio nacional

Samantha Silva, jornalista pós-graduada em Jornalismo Literário e repórter da Globo.com (G1) de Minas Gerais, foi a vencedora da 6ª edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo, na categoria Webjornalismo. A entrega da premiação do concurso nacional ocorreu no último dia 12 de agosto, na sede do Sebrae em Brasília (DF).  Foram julgadas as melhores matérias veiculadas nos meios de comunicação sobre os micro e pequenos negócios. Ao todo, foram 1.395 inscrições de todas as regiões brasileiras e R$ 120 mil distribuídos em prêmios. A reportagem de Samantha, com o título “Lingerie tira mulheres do campo e faz polo virar realidade em Juruaia”, mostrou como as mulheres comandaram o crescimento econômico da cidade de Juruaia, que tem 9,2 mil habitantes e já lidera a renda per capita do Sul de Minas.

Leia a reportagem completa da jornalista Samantha Silva no Globo.com.

Abaixo uma entrevista exclusiva concedida pela autora da reportagem ao Blog JL:

JL – Que técnicas de Jornalismo Literário você utilizou na reportagem?

Samantha Silva – Foram três principais que me ajudaram muito. A narrativa, de transformar dados econômicos (que tinham tudo para ser monótono ou entendido apenas para os que são da área) em uma história de pessoas que mudaram sua realidade, uma história de vida. A descrição de cenários, que ajuda o leitor a entender a realidade daquele lugar: a cidade pequena, a simplicidade do interior, grandes indústrias numa pequena cidade do Sul de Minas. A técnica me ajudou a poder explicar esse paralelo somente descrevendo o ambiente. E principalmente, a humanização. Transformar um “roteiro econômico” na história de pessoas, porque acima de qualquer dado ou investimento, são pessoas que decidiram mudar o seu universo e essa decisão mudou vidas, mudou uma cidade. Acho que o Jornalismo Literário, acima de tudo, é justamente essa humanização.

JL – Como você acha que está a aceitação dos leitores para com o JL no webjornalismo?

Samantha Silva – Acho que atualmente o webjornalismo está sendo influenciado principalmente por um detalhe do Jornalismo Literário: o foco em personagens. Você escolher um “alguém” na multidão para representar um lado da sociedade. E aí muda o foco das fontes oficiais (ainda necessárias claro), mas dá-se mais importância para mostrar a realidade das pessoas inseridas numa situação nacional, estadual, municipal. Esse foco nos personagens é bem legal e abre a oportunidade de humanizar a informação.

JL – Como você fez para driblar a máxima de que “texto para web deve ser curto” e publicar a matéria vencedora?

Samantha Silva – Brigando (risos). Acho que essa é a principal dificuldade dos amantes do Jornalismo Literário no webjornalismo: a quantidade de palavras. Acho muito difícil você conseguir se aprofundar em um tema com textos curtos, mas tudo depende da história que você está contando. Se ela é bem escrita, interessante, e sem rodeios, as pessoas leem até na internet. Você tem que ser capaz de prender o leitor, e uma boa história bem contada tem a capacidade de fazer isso, em qualquer meio. Outro “drible” que é possível fazer no webjornalismo é dividir a história. Ao invés de publicar uma matéria enorme, você divide em três que se seguram. Alguns jornais como o Estadão ou mesmo o G1 também, hoje, estão fazendo páginas especiais que dividem a matéria dessa forma, usando todos os recursos que a multimídia permite e dividindo o texto “em capítulos”, usando páginas à parte para o especial.

JL – Qual legado você espera que essa sua conquista deixe para os webjornalistas?

Samantha Silva – Não sei se posso dizer que deixo um legado, mas talvez uma esperança de que a grande reportagem aprofundada não esteja “morrendo” com a ascensão da tecnologia. Que elas podem conviver harmonicamente, que há espaço. O que é preciso é saber adaptar as duas realidades, que podem ser meios muito opostos, mas ao mesmo tempo o webjornalismo permite que o bom texto seja acompanhado de recursos visuais que o impresso nunca permitiria, e o Jornalismo Literário não permite que a qualidade do texto caia simplesmente porque se convencionou que web é texto pequeno e “não complicado”. As pessoas sempre precisarão da boa informação, bem contada e com aprofundamento. Pode não ser lida (ainda) pela maioria, mas ela não pode deixar de existir. Seria uma perda muito grande para o jornalismo.

JL – Tem alguma coisa que não perguntamos e que você gostaria de informar?

Samantha Silva – Abaixo tem um link de uma entrevista que dei para a Revista Imprensa, no dia que ganhei o prêmio, que conta um pouco da matéria. Se quiser tirar alguma coisa, não tem problema:

 

Samantha Silva - Jornalismo Literário

A pós-graduada em Jornalismo Literário Samantha Silva foi a vencedora da 6ª edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo, na categoria Webjornalismo. Foto: arquivo pessoal Samantha

Samantha não foi a primeira pós-graduada em JL a conquistar um prêmio nacional. A edição 2014 do prêmio nacional Clóvis Barbosa de Jornalismo Literário premiou o perfil “O Homem da Segunda Chance” sobre o cirurgião cardiovascular que realiza a captação de corações e transplantes no Incor (Instituto do Coração), em São Paulo, Ronaldo Honorato, escrito pela jornalista pós-graduada em JL, Andréa Ascenção. Saiba mais: migre.me/lTkHD

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2 pensamentos sobre “Jornalista utiliza técnicas de JL e leva prêmio nacional

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