Lista: 15 filmes sobre Jornalismo

O blog JL reuniu 15 filmes sobre Jornalismo. Os filmes são uma compilação das listas anteriores do blog e pretende relembrar grandes títulos do cinema nacional e internacional. Ética na profissão, conflito de interesses, o processo de criação de textos, coberturas de guerras, jornalismo e poder entre outros temas são explorados pela indústria do cinema para retratar o nobre, perigoso e confuso universo jornalístico. Confira a lista e prepare a pipoca:

1 – Capote, 2005, EUA/Canadá

Considerado um dos fundadores do “New Journalism” e figura essencial na consolidação do Jornalismo Literário no mundo, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) é personagem central do filme “Capote”. O longa-metragem relata os bastidores do livro-reportagem “A Sangue Frio”, obra que revolucionou a literatura moderna e o jornalismo. O filme, dirigido por Bennett Miller, estreou no cinema em 30 de setembro de 2005, data de nascimento de Truman Capote.

O filme, indicado a cinco Óscares, inicia a história em novembro de 1959, quando Capote lê um artigo no jornal “The New York Times” sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros em Holcomb, no Kansas. Apesar de a notícia estar publicada friamente em uma pequena nota do jornal, a matéria chamou atenção de Capote, que vê a oportunidade de transformar um acontecimento aparentemente de menor importância, nos critérios de notícia da mídia tradicional, em uma grande reportagem. Usando como argumento o impacto que o assassinato teve na pequena cidade, Capote convence a revista “The New Yorker”, especializada em Jornalismo Literário, a lhe dar uma matéria sobre o assunto e, com isso, parte para o Kansas acompanhado pela escritora Harper Lee (Catherine Keener). Após uma longa investigação na pequena cidade de Holcomb, Capote percebe que o artigo de revista poderia ser ampliado ainda mais. Surgia a ideia embrionária da produção do clássico “A Sangue Frio”.

Em atuação magnífica, Philip Seymour Hoffman, interpretou Truman Capote (foto: Attila Doroy)

 

 

2 – A Fogueira das Vaidades, 1990, EUA

Apesar de não ser uma obra específica sobre jornalismo literário, “A Fogueira das Vaidades” entra na lista devido ao seu criador. Baseado na novela de Tom Wolfe, um ícone do “New Journalism” e, consequentemente do Jornalismo Literário, o filme é uma amostra do lado criativo de Wolfe como escritor e sua visão crítica da sociedade norte-americana.

No enredo, Sherman McCoy (Tom Hanks) é um grande corretor de Wall Street que ganha comissões milionárias e tem a sua vida modificada bruscamente quando, ao ir com Maria Ruskin (Melanie Griffith), sua amante, para Manhattan, erra o caminho e vai parar no Bronx. Lá ele atropela um negro, fazendo com que este fato seja o ponto de partida da sua ruína e também o início da meteórica ascensão de Peter Fallow (Bruce Willis), um jornalista desconhecido. O filme é dirigido por Brian de Palma.

Tom Hanks e Melanie Griffith em Fogueira das Vaidades, baseado no livro homônimo de Tom Wolfe

 

3 – Diário de um jornalista bêbado, 2011, EUA

Hunter S. Thompson (1937-2005) foi um dos grandes nomes do jornalismo mundial e considerado o pai do “Jornalismo Gonzo”, estilo conhecido por acabar com a distinção entre autor e sujeito, ficção e não-ficção e considerado uma ramificação do Jornalismo Literário. Thompson escreveu, entre sua variada obra, Rum: Diário de um Jornalista Bêbado. O livro é um livro de ficção fortemente influenciado pela experiência de Thompson na carreira jornalística. O filme é baseado no livro e relata a história do jornalista itinerante Paul Kemp, interpretado por Johnny Depp, amigo íntimo de Hunter S. Thompson.

O enredo mostra Paul Kemp cansado da vida frenética de Nova Iorque e das convenções morais de uma América conservadora. Para fugir desse mundo ao qual ele não se encaixava, ele viaja à bela ilha de Porto Rico, para trabalhar em um jornal local, o “The San Juan Star”. Com uma rotina regada a muito rum, Paul começa a se apaixonar por Chenault (Amber Heard), noiva de Sanderson, um dos maiores empresários da cidade que pretende converter Porto Rico num paraíso do capitalismo. Kemp é recrutado por Sanderson para escrever um artigo favorável a respeito de sua nova e corrupta empreitada, no entanto, fica confuso entre escrever uma matéria comprada ou investigar o caso de corrupção e denunciar o empresário.

Paul Kemp foi interpretado por Johnny Depp, amigo íntimo de Hunter S. Thompsom. Na foto Thompsom e Depp

Paul Kemp foi interpretado por Johnny Depp, amigo íntimo de Hunter S. Thompsom. Na foto Thompsom e Depp

 

4 – Quase Famosos, 2001, EUA

O personagem central é um adolescente de 15 anos que consegue trabalho como repórter da revista Rolling Stone, periódico que utiliza o Jornalismo Literário como estilo de escrita. O garoto cobre a turnê de um grupo de rock (banda Stillwater) pelos EUA. No filme vemos a imersão do repórter na realidade do rock dos anos 70 e sua subjetividade textual cheia de vibração e fascínio.

Na vida real, o adolescente se chamava Cameron Crowe, roteirista do filme, que roteirizou “Quase Famosos” usando memórias próprias. Crowe, também com 15 anos na época, acompanhou parte da turnê da banda Led Zeppelin. Outra referência a realidade é a existência do personagem interpretado por Philip Seymour Hoffman (mesmo ator que interpretou Truman Capote), o crítico Lester Bangs, que faleceu em 1982. Bangs foi um grande nome do jornalismo cultural americano, especialista em produção musical.

Uma ficção inspirada na realidade: um jovem repórter que finge ser jornalista para poder acompanhar a turnê de sua banda de rock favorita. O resultado é que o garoto fez tão bem o trabalho que acabou virando jornalista da revista Rolling Stone

 

5 – Outubro, 1928, URSS

O filme foi baseado em uma das maiores obras de Jornalismo Literário mundial: o livro “Os Dez dias que abalaram o mundo”, de John Reed (1887-1920). Escrito em primeira pessoa, o livro reportagem relata com destreza e realismo extremo os episódios da Revolução Bolquevique na Rússia, em 1917. A obra é essencial para a compreensão das lutas trabalhistas do início do século XX e da formação política ideológica atual.

O filme, feito com o roteiro do próprio John Reed, foi patrocinado pelo regime soviético e serviu para celebrar o 10º Aniversário da Revolução Soviética de 1917. Devido a referência ao livro o longa também é conhecido como “Os Dez dias que Abalaram o Mundo”. Para os padrões do período foi considerado uma superprodução, utilizando gente do povo que havia realmente participado da Revolução Russa nas ruas.

John Reed entrou para o hall de grandes jornalistas da história com a impressionante obra "Os dez dias que abalaram o mundo", livro clássico também do Jornalismo Literário

John Reed entrou para o hall de grandes jornalistas da história com a impressionante obra “Os dez dias que abalaram o mundo”, livro clássico também do Jornalismo Literário

 

6- Norman Mailer : o americano, 2010, EUA

Um documentário essencial para conhecer a história de vida de um dos grandes nomes do Jornalismo Literário mundial e um dos pais do “New Journalism” americano. No longa-metragem, depoimentos inéditos de esposas e amantes, admiradores e inimigos, filhos e do próprio Mailer ajudam a compreender a personalidade do controverso jornalista. Norman Mailer foi duas vezes premiado com o Prêmio Pulitzer. A primeira em 1968 com o livro “Os Exércitos da Noite” – que relata a Marcha sobre o Pentágono, manifestação civil que reuniu milhares de pessoas em Washington, em outubro de 1967, em protesto contra a política americana na guerra do Vietnã – e pela segunda vez em 1979 com o livro “A Canção do Carrasco” sobre o condenado a morte Gary Gilmore.

O americano e ícone do Jornalismo Literário Norman Mailer

O americano e ícone do Jornalismo Literário Norman Mailer

 

7- Os gritos do silêncio, 1984, EUA/Reino Unido

O filme conta a história do jornalista americano Sidney Schanberg (Sam Waterson) que cobriu a Guerra do Camboja. Por meio do relato de Schanberg, as atrocidades da guerra são relatadas para o mundo e garantem ao jornalista o Prêmio Pulitzer. O jornalista retorna posteriormente ao Camboja a procura de seu amigo Dith Pran (Haing S. Ngor), intérprete cambojano e jornalista local. A realidade que Sidney encontra no retorno são ainda mais alarmantes. O filme é baseado em fatos reais.

Relatos de uma guerra na visão de um jornalista

Relatos de uma guerra na visão de um jornalista

 

8 – Germinal, 1993, França

O jornalista Émile Zola trabalhou em minas de carvão no norte da França no final do século XIX para escrever de maneira mais real o romance “Germinal”, um clássico da literatura francesa e registro essencial do surgimento dos movimentos trabalhistas e sindicais que iriam sacudir o mundo no século XX. Devido ao realismo da escrita de Zola e de sua iniciativa de trabalhar como mineiro para retratar de forma mais real possível seu romance, a obra Germinal é considera por alguns especialistas um misto de ficção e jornalismo. O filme homônimo de 1993, adapta o livro as telas de cinema.

O livro de Zola também é citado como um dos primeiros livros-reportagem da história, apesar de ser uma obra de ficção

O livro de Zola também é citado como um dos primeiros livros-reportagem da história, apesar de ser uma obra de ficção

 

9 – Olga, 2004, Brasil

Baseado na longa apuração e pesquisa do jornalista Fernando Moraes, que resultou na biografia de Olga Benário, o filme “Olga” relata a vida da jovem judia alemã e militante comunista que se apaixonou por Luiz Carlos Prestes, revolucionário brasileiro. No filme, Olga (Camila Morgado) é perseguida pela polícia e foge para Moscou, onde recebe treinamento militar e é encarregada de acompanhar Luís Carlos Prestes (Caco Ciocler) de volta ao Brasil. Na viagem, enquanto planejam a Intentona Comunista contra o presidente Getúlio Vargas, os dois acabam relacionando-se. Parceiros na vida e na política, Olga e Prestes protagonizam uma parte importante da história nacional e internacional. O filme, uma superprodução brasileira, manteve o tom sensível e informativo do livro de Fernando Moraes.

Olga Benário teve sua biografia escrita pelo jornalista brasileiro Fernando Moraes em 1993. O livro Olga foi publicado pela esitora Cia. das Letras

Olga Benário teve sua biografia escrita pelo jornalista brasileiro Fernando Moraes em 1993. O livro Olga foi publicado pela esitora Cia. das Letras

 

10 – Hemingway & Martha, 2012, EUA

O recém lançado “Hemingway & Martha” relata um dos casos de amor do escritor e jornalista americano Ernest Hemingway. Correspondente de Guerra cobrindo a Guerra Civil Espanhola, Ernest Hemingway (Clive Owen) se relaciona com Martha Gellhorn (Nicole Kidman), também jornalista e Correspondente de Guerra na Espanha. Em meio a paixão e a guerra, os dois relatam os acontecimentos, direto do front, para os jornais. Hemingway também tem o intuito de produzir um documentário sobre a guerra espanhola. O filme ainda relaciona os dois protagonistas ao jornalista John dos Passos (David Strathairn) e ao intelectual revolucionário Paco Zarra (Rodrigo Santoro).

Escritor Hemingway - jornalista literário - jornalismo literário

Martha e Hemingway

 

11 – Gonzo: um delírio americano, 2008, EUA

Hunter S. Thompson pode ser, dependendo do ponto de vista, sinônimo de gênio ou louco, porém entrou para história do jornalismo com sua aclamada obra e estilo de escrita apurada, original e ácida. Considerado uma das últimas vozes realmente independentes do jornalismo nos EUA, Thompson, criou o estilo “Gonzo”, que usou para criticar o sistema vigente. Em um contexto de contracultura efervescente (anos 60) levou às últimas conseqüências a doutrina de sexo, drogas e rock n’roll. Por outro lado, andava armado e foi membro da conservadora associação de lobbistas de armas NRA. O documentário “Gonzo: um delírio americano” apresenta depoimentos de amigos e parentes, material de arquivo e citações de textos inéditos. Com a narração do ator Johnny Depp (amigo íntimo de Hunter Thompson) o documentário se debruça sobre o período mais provocador e produtivo do autor do livro célebre “Medo e Delírio em Las Vegas”.

Hunter S. Thompson (1937-2005)

Hunter S. Thompson (1937-2005)

 

12 – Guerra de Canudos, 1997, Brasil

Baseado na obra máxima “Os Sertões”, do jornalista e escritor Euclides da Cunha, o filme retrata o Brasil pós proclamação da República e envolto em agitação política. O filme conta a história da Guerra de Canudos, um dos maiores crimes contra os direitos humanos cometido no País, sob a ótica de uma família de sertanejos que, após terem seus bens confiscados sob alegação de arrecadação de tributos pela República, ficam na miséria e resolvem seguir o famoso peregrino Antônio Conselheiro (José Wilker). A história se passa no sertão da Bahia, região, historicamente caracterizada por latifúndios improdutivos, secas cíclicas e desemprego crônico e que passava por uma grave crise econômica e social. Nesse contexto, milhares de sertanejos e ex-escravos partiram para Canudos, cidadela liderada por peregrino Antônio Conselheiro, unidos na crença numa salvação milagrosa que pouparia os humildes habitantes do sertão dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social. O filme mostra a cobertura feita por Euclides da Cunha utilizando o personagem Pedro, que assim como o Euclides é um jornalista cobrindo a guerra. O livro “Os Sertões”, fonte importante para a elaboração do filme, é uma obra-prima da literatura e do Jornalismo Literário brasileiro.

José Wilker como Antônio Conselheiro. No livro de Euclides da Cunha: "Ele (Antônio Conselheiro) ali subia e pregava. Era assombroso, afirmam testemunhas existentes. Uma oratória bárbara e arrepiadora, feita de excertos truncados das Horas Marianas, desconexa, abstrusa, agravada, às vezes, pela ousadia extrema das citações latinas; transcorrendo em frases sacudidas; misto inextrincável e confuso de conselhos dogmáticos, preceitos vulgares da moral cristã e de profecias esdrúxulas".

José Wilker como Antônio Conselheiro. No livro de Euclides da Cunha: “Ele (Antônio Conselheiro) ali subia e pregava. Era assombroso, afirmam testemunhas existentes. Uma oratória bárbara e arrepiadora, feita de excertos truncados das Horas Marianas, desconexa, abstrusa, agravada, às vezes, pela ousadia extrema das citações latinas; transcorrendo em frases sacudidas; misto inextrincável e confuso de conselhos dogmáticos, preceitos vulgares da moral cristã e de profecias esdrúxulas”

 

13 – O Mercado de Notícias, 2014, Brasil

“O Mercado de Notícias” é um documentário que, segundo as palavras do diretor Jorge Furtado “traça um painel sobre mídia e democracia, incluindo uma breve história da imprensa, desde o seu surgimento, no século 17, até hoje, destacando seu papel na construção da opinião pública, seus interesses políticos e econômicos”. Recém lançado, o documentário estará disponível, em breve no site http://www.omercadodenoticias.com.br. Nomes como Geneton Moraes Neto, Janio de Freitas, Luis Nassif, Mino Carta, Cristiana Lôbo, entre outros jornalistas são entrevistados no filme.

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Um dos melhores documentários já feitos sobre Jornalismo

 

14 – Edifício Master, 2002, Brasil

No ano em que perdemos Eduardo Coutinho, um grande nome do cinema e do jornalismo brasileiro, nada mais simbólico que rever as obras deste documentarista primoroso. O documentário “Edifício Master”, é considerado uma obra-prima pela sutileza de contar o cotidiano de pessoas comuns com um toque de literatura e jornalismo. Eduardo Coutinho filmou durante sete dias o cotidiano dos moradores do Edifício Master, situado em Copacabana, a um quarteirão da praia. 37 moradores foram entrevistados e histórias íntimas e reveladoras de suas vidas são apresentadas.

Edificio-Master-documentário-eduardo coutinho - jornalismo literário

O documentário mais aclamado de Eduardo Coutinho

 

15 – Boa noite Boa sorte, 2005, EUA

Guerra Fria. O medo de um conflito entre USA e URSS gera opiniões extremas, medo e muita desonestidade no debate político pelo mundo. No meio do caos da razão, o jornalista Edward R. Morrow (David Strathairn), âncora de TV da CBS que, em plena era do macarthismo, luta para mostrar em seu jornal os dois lados da questão com equilíbrio, aprofundamento e racionalidade. Para tanto ele revela as táticas e mentiras usadas pelo senador Joseph McCarthy em sua “caça” aos supostos comunistas que “ameaçam o país”. O senador, por sua vez, prefere intimidar Morrow ao invés de usar o direito de resposta por ele oferecido em seu jornal, iniciando um grande confronto público que trará consequências à recém-implantada TV nos Estados Unidos. O filme é importante sobre o ponto de vista ético e profissional e serve de exemplo de bom jornalismo.

David Strathairn e sua brilhante interpretação do jornalista Edward R. Morrow

David Strathairn e sua brilhante interpretação do jornalista Edward R. Morrow

 

 

 

 

 

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