Festival Piauí de Jornalismo: a adaptação da revista The New Yorker ao mundo virtual

Há uma semana alguns dos mais importantes “cases” de inovação no mundo do jornalismo foram debatidos como tema central do Festival Piauí de Jornalismo 2014. O blog JL destaca a palestra, que ocorreu no último sábado, às 18h, com Pamela McCarthy, editora-adjunta da The New Yorker – revista norte-americana semanal que produz longas reportagens, ensaios, ficção, poesia, cartuns e é considerada a maior revista de Jornalismo Literário do mundo.

"As matérias longas são a alma da revista e elas estão tendo muito mais exposição do que tinham antes. Uma das lições desta era é que você precisa ser muito versátil e estar disposto a experimentar coisas novas", afirma McCarthy no Festival Piauí de Jornalismo. Foto: Revista Piauí

“As matérias longas são a alma da revista e elas estão tendo muito mais exposição do que tinham antes. Uma das lições desta era é que você precisa ser muito versátil e estar disposto a experimentar coisas novas”, afirma McCarthy no Festival Piauí de Jornalismo. Foto: Revista Piauí

A “The New Yorker” hoje

Se adaptando ao jornalismo online, a revista TNY investiu em material para web e cobrou por isso: atualmente somente assinantes podem ter acesso a todo o material produzido pela revista, fato relevante visto que a maior parte do conteúdo da revista impressa encontra-se no site.

Site revista The New Yorker

Longas matérias, estilo de escrita e criatividade também estão presentes no site da revista The New Yorker

Podcasts, blogs, vídeos e slideshows, por outro lado, podem ser acessados gratuitamente como conteúdo online extra. A revista também expandiu sua presença no meio digital em 2011, aumentando o staff do site para doze funcionários, incluindo a contratação de Nicholas Thompson como editor do site (um dos fundadores do Atavist). Em 2013, o site contratou Matt Buchanan, especialista em tecnologia do BuzzFeed, e lançou blogs de ciência, tecnologia, livros e humor. Também investiu em native advertising, a reportagem patrocinada, produzida na revista em parceria com um anunciante. Em 2014, a New Yorker anunciou mudanças no seu site e ao acesso livre de seus arquivos por três meses, com a posterior adoção de um paywall, o pagamento por acesso a conteúdo restrito no site. O tráfego do site aumentou de 3 milhões de visitas mensais na primeira metade de 2011 para 10 milhões no mesmo período em 2014.

Pamela McCarthy - Festival Piaui de Jornalismo

Pamela McCarthy: “mantivemos as ilustrações na capa, mas fizemos uma revolução nas páginas da New Yorker ao longo dos anos. As renovações fazem parte do nosso DNA”. Foto: Bruno Poletti/Folhapress

A New Yorker lançou uma assinatura digital em 2008, uma versão para iPad em 2010 e uma assinatura para iPad em 2011. Em julho de 2011, contabilizou 100 mil leitores no iPad, incluindo 20 mil assinantes apenas da versão digital.

Crescimento

A publicação também está investindo em um novo conceito da revista para web (melhor leitura para smartphone, aumento do conteúdo online, introdução do paywall etc.) e os efeitos das mudanças no tráfego do site (aumento em 23% no acesso e em 23% no tempo gasto no site).

Nos últimos anos, a New Yorker tem feito um esforço para ampliar sua presença no meio digital. O objetivo principal é converter os leitores online em assinantes da edição impressa. A revista está presente em grandes plataformas, como Facebook (2 milhões de likes), Twitter (3,67 milhões de seguidores) e Instagram (194 173 seguidores). Mas uma das mais importantes estratégias para o meio digital são blogs como o Culture Desk, o Books & Fiction, o Currency e o Science & Tech, que ajudaram o site da New Yorker a ampliar o tráfego mensal para mais de 10 milhões de visitas. Uma postagem de David Remnick com a lista dos seus CDs de jazz favoritos teve mais visualizações do que a matéria que deu origem ao post, uma reportagem para a revista impressa sobre o dj de jazz Phil Schaap.

Pamela McCarthy - Festival Piaui de Jornalismo 2

McCarthy: “o mantra era que a informação tinha que ser gratuita, mas nós acreditávamos que não este tipo de informação. Dados crus devem ser gratuitos, mas a escrita tem valor que deve ser levado em conta”

Atualmente, o NewYorker.com posta cerca de dezoito textos originais por dia. Parte desse conteúdo é escrito pelos jornalistas da casa, mas muitas postagens são colaborações de freelancers frequentes da revista, que, aliás, são os que acabam postando mais vezes. Desde o ano passado, o lucro com o digital cresceu em 49%.

Plataforma online

Em maio de 2013, a New Yorker anunciou o lançamento do Strongbox, uma plataforma online segura de comunicação entre os jornalistas da revista e suas fontes. O projeto foi criado inicialmente por Aaron Swartz (o jovem ativista da internet que cometeu suicídio em 2013) e Kevin Poulsen, da Wired, com o nome de DeadDrop. Usando o software Strongbox e a rede de anonimato Tor (o navegador da deep web), as pessoas podem enviar informações, documentos e sugestões para a redação sem que nem a revista consiga rastrear o remetente.

A New Yorker foi o primeiro veículo a ser bem-sucedido em lançar uma plataforma de comunicação segura. O lançamento ocorreu dois dias depois de a Associated Press revelar que o Departamento de Justiça americano havia obtido registros telefônicos de seus jornalistas durante dois meses.

Perfil de Pamela

A New Yorker é uma revista americana semanal que produz longas reportagens, ensaios, ficção, poesia e cartuns. Pertence ao grupo internacional Condé Nast, que é dono também da Vogue, Vanity Fair, Wired e outras. Desde 1998, é editada por David Remnick, que enfatizou a característica da revista de produzir artigos longos, como a série de reportagens sobre a guerra no Iraque e no Afeganistão. A New Yorker perdeu dinheiro constantemente entre os anos 1980 e 2000, mas passou a alcançar uma margem de lucro mais expressiva nos últimos anos. Sua circulação superou a marca de 1 milhão e cresceu mais de 23% na primeira década da direção de Remnick.

Pamela McCarthy é editora-adjunta na revista. Formada em literatura inglesa, começou a carreira como revisora na Esquire, em 1974. Ficou dez anos na revista, chegando a editora-executiva. Em 1984, McCarthy foi para a Vanity Fair, na qual ficou por quase uma década como editora-executiva. Ela trabalhou com Tina Brown na revista e ajudou a conduzir a reestruturação editorial, trazendo para a redação novos escritores e fotógrafos, como Annie Leibovitz. A Vanity Fair ganhou sete prêmios National Magazine na época e os anúncios e circulação quadruplicaram.

Pamela trabalhou nas revistas Esquire e Vanity Fair antes de ir para a The New Yorker em 1992

Em 1992, McCarthy foi junto com Tina Brown para a New Yorker, como editora-executiva. Em 1995, tornou-se editora-adjunta. Com a saída de Brown, tornou-se o braço direito do atual diretor, David Remnick. Após o lançamento em 2010 do tablet da Apple, o iPad, McCarthy coordenou a equipe que produziu o aplicativo da revista. Ela lidera a produção da versão para iPad e se reúne semanalmente com os departamentos de arte, foto e web.

Daniela Pinheiro, repórter da Revista Piauí, visitou recentemente a redação da New Yorker e foi recebida por Pamela. Veja o vídeo: http://migre.me/naVCL

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Fonte: Revista Piauí.

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