6 dicas de Ernest Hemingway para quem quer escrever melhor

Algumas dicas de um dos maiores escritores do século passado.

Por Tomás Petersen.

Hemingway, conhecido como “Papa”, era um típico macho bon vivant da primeira metade do século. Se fosse vivo hoje ele seria torturado pelo discurso politicamente correto por causa do que apreciava: touradas, pescaria de peixes grandes em alto mar e caça a grandes feras nas savanas africanas. Suas histórias se situavam nesses universos, assim como no das guerras mundiais e da geração perdida de Paris nas décadas de 1920 e 1930. Em 2 de julho de 1961, em casa na cidade de Ketchum, Idaho, colocou o cano de um fuzil de caça na boca e apertou o gatilho.

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“Escrever e viajar, se não alargam o seus horizontes, alargam o tamanho de sua bunda. É por isso que gosto de escrever em pé.”

As dicas a seguir constam no livro Tempo de Viver, o primeiro dos dois volumes da coletânea Ernest Hemingway Repórter, organizada por Willian White e publicados no Brasil em 1969 pela editora Civilização Brasileira com tradução de Álvaro Cabral. Junto com o segundo livro, Tempo de Morrer, as obras reúnem os despachos de Hemingway como jornalista ao longo de duas décadas para publicações como a revista Esquire e o jornal Toronto Star. Vale lembrar que a obra dele será toda relançada, inclusive estes dois volumes.

Com os dois livros percebe-se que muito do estilo narrativo e das temáticas da literatura do Papa é fruto da carreira como repórter. Os trechos foram retirados de uma correspondência enviada à Esquire em outubro de 1935, diretamente de Key West, na Flórida. Hemingway conta que estava em sua casa quando um fã e pretenso escritor lhe bateu à porta em busca de lições. Ele então foi levado junto em uma pescaria, onde teria a oportunidade de fazer perguntas, que resultaram em alguns destes excertos. Por respeito, mantive a ortografia da época:

 

1 – “Escrever bem é escrever sinceramente. Se um homem está escrevendo uma estória, será verdadeiro e sincero em proporção à soma de conhecimentos da vida que êle possui (…) Se ele não souber como muitas pessoas agem e pensam, como se processam os seus pensamentos e ações, a sua boa estrela poderá poupá-lo por algum tempo ou talvez possa escrever estórias da carochinha. Mas se continuar escrevendo sôbre aquilo que não conhece, acabará por descobrir que não passa de uma fraude, de uma mistificação”.

2 – “(…) Se escrever a lápis, isso dá-lhe a possibilidade de ver o seu trabalho três vezes, para certificar-se de que está realmente comunicando ao leitor aquilo que você lhe quer dar. Primeiro, quando lê o que escreveu; depois, quando o original é datilografado, tem nova oportunidade para aperfeiçoá-lo e, finalmente, na prova tipográfica”.

3 – “O melhor é parar sempre quando o negócio está saindo bem e você sabe o que irá acontecer a seguir. Se você fizer isso todos os dias, quando está escrevendo um romance, nunca ficará engasgado num beco sem saída. (…) Desta maneira, o seu subconsciente estará trabalhando ativamente em torno do assunto o tempo todo”.

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“Ao atirar, você deve ter cuidado, e não deve estar preocupado.”

4 – “É inútil escrever qualquer coisa que já tenha sido escrita antes, a menos que você possa superá-la. O que um escritor tem a fazer, no nosso tempo, é escrever o que não foi escrito antes ou bater os escritores mortos naquilo que fizeram. A única maneira que êle tem de saber se vai andando bem é competir com os mortos. A maioria dos escritores vivos não existe. (…) É como um corredor de milha fazendo o percurso contra-relógio em vez de tentar, simplemente, bater quem estiver correndo na pista com êle. Se não correr contra o tempo, nunca saberá o que é capaz de atingir”.

5 – “Observe o que acontece hoje. Se encontrarmos um peixe, observe exatamente o que cada um faz. Se sentir um súbito alvoroço, uma excitação peculiar, quando vir o peixe saltar fora da água, reconstrua todas as suas recordações até perceber exatamente qual foi a ação que provocou em você aquela emoção (…) Depois mêta-se na cabeça de outra pessoa, para variar. Se eu berrar com você, procure imaginar tanto o que é que eu estou pensando como o que você sentiu quando eu berrei. (…)”.

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“Os bons momentos deveriam ser orquestrados, jamais deixados às incertezas do acaso.”

6 – “Quando as pessoas falam você deve escutá-las completamente. Não fique pensando no que vai responder, no que deve dizer a seguir. A maioria das pessoas não ouve. Você deve estar capacitado para entrar numa sala e, quando sair, saber tudo o que ali viu e não só isso. Se essa sala lhe despertou algum sentimento, deverá saber exatamente o que foi que lhe deu êsse sentimento. (…)”.

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Título editado pelo JL blog. Texto, fotos e legendas produzidos por Tomás Petersen para o espaço Trincheira, do portal RIC Mais.

 

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2 pensamentos sobre “6 dicas de Ernest Hemingway para quem quer escrever melhor

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