Dicionário de Jornalismo Literário

O dicionário de Jornalismo Literário é formulado com base em pesquisas sobre o gênero. O objetivo é definir um padrão de conceituação de termos utilizados e que norteiam o JL. Por ter caráter dinâmico, o dicionário de Jornalismo Literário está em constante atualização. Confira:

Ensaio Pessoal

Gênero emergente na Literatura da Realidade norte-americana. Mescla narrativa e reflexão dissertativa de tom pessoal, não acadêmico. O autor pode ser também personagem. Está envolvido de algum modo no acontecimento que dá origem ao texto e/ou assume posição clara nas reflexões associadas. O assunto abordado e o tema subjacente têm significado pessoal para o autor. Tanto a voz autoral quanto a imersão constituem qualidades desejáveis. Exemplo: O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion (editora Nova Fronteira). Fonte: www.edvaldopereiralima.com.br.

Jornalismo Gonzo

Vertente peculiar do Novo Jornalismo, criada e popularizada por Hunter S. Thompson através de sua produção para a mídia periódica e livros-reportagem. Consiste no envolvimento altamente pessoal e irreverente do repórter nos temas sobre os quais escreve, traduzido em forma narrativa excêntrica. Transporta um olhar crítico sobre a realidade. Busca um modo de expressar a realidade muito apoiado na habilidade descritiva do autor. Fonte: www.edvaldopereiralima.com.br.

Jornalismo Literário

Modalidade de prática da reportagem de profundidade e do ensaio jornalístico utilizando recursos de observação e redação originários da (ou inspirados pela) literatura. Traços básicos: imersão do repórter na realidade, voz autoral, estilo, precisão de dados e informações, uso de símbolos (inclusive metáforas), digressão e humanização. Abrange distintos formatos narrativos, como o perfil e a reportagem temática, assim como seu estilo é aplicado na produção de narrativas de viagem, biografias, ensaio pessoal e outros formatos. É um fenômeno universal, embora tenha se consolidado melhor nos Estados Unidos. No Brasil, foram precursores Euclides da Cunha e João do Rio. Modalidade conhecida também como Jornalismo Narrativo, Literatura da Realidade, Literatura Criativa de Não Ficção. Fonte: www.edvaldopereiralima.com.br.

No seu desenvolvimento norte-americano foi também influenciado pela sociologia, que lhe trouxe a técnica de captação conhecida como observação participante, hoje disseminada na prática jornalística de reportagem em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Fonte: www.edvaldopereiralima.com.br.

Literatura da Realidade

Sinônimo de Jornalismo Literário, Literatura de Não-Ficção, Literatura Criativa de Não Ficção. Aplica-se à prática da narrativa sobre temas reais, empregando reportagem – o ato de relatar ocorrências sociais – sob um conceito espaço-temporal e de método mais amplo do que nos periódicos. Praticada por jornalistas, escritores, historiadores e cientistas sociais. Fonte: www.edvaldopereiralima.com.br.

Livro-reportagem

Veículo jornalístico impresso não-periódico contendo matéria produzida em formato de reportagem, grande-reportagem ou ensaio. Caracteriza-se pela autoria e pela liberdade de pauta, captação, texto e edição com que os autores podem trabalhar. Entre os tipos de livros-reportagem mais comuns estão a reportagem biográfica, o livro-reportagem-denúncia e o livro-reportagem-história. É um veículo talhado por excelência para a prática do Jornalismo Literário. Fonte: www.edvaldopereiralima.com.br.

Memórias

Textos biográficos da Literatura da Realidade caracterizados pelo resgate narrativo de episódios marcantes da história de uma pessoa, muitas vezes envolvendo um ciclo definido de sua vida, como a infância, a adolescência, o início da vida adulta e assim por diante. Ao contrário da biografia, portanto, não focaliza toda a vida do protagonista, mas períodos definidos. A autoria pode ser do próprio protagonista ou de terceiros. A história do personagem geralmente espelha também um contexto histórico, social, cultural. O gênero passou por extraordinária renovação de qualidade com As Cinzas de Angela, de Frank McCourt, (editora Objetiva) vencedor nos Estados Unidos do Prêmio Pulitzer, também transformado em filme. O livro, escrito na maturidade do autor, já aposentado como professor, conta sua infância nas décadas de 1930 e 1940 na Irlanda. O lance de gênio de McCourt foi narrar a história na voz da criança (ele próprio) que experimentou os dramas e as situações hilárias de crescer numa família disfuncional, em meio a extrema pobreza. Fonte: www.edvaldopereiralima.com.br.

Novo Jornalismo

Fase histórica e efervescente de renovação do JL nas décadas de 1960 e 1970 nos Estados Unidos, caracterizada pela introdução de novas técnicas narrativas (fluxo de consciência e ponto de vista autobiográfico), grande exposição pública e popularidade, reivindicação de qualidade equivalente à literatura. Abundantemente praticada em revistas de reportagem especializadas em JL, publicações alternativas, livros-reportagem e até mesmo em veículos da grande imprensa. Registra a ascensão para a fama de grandes mestres da narrativa do real, como Gay Talese e Tom Wolfe, assim como o salto para a produção de não-ficção de nomes consagrados da literatura, como Norman Mailer e Truman Capote. No Brasil, a coleção Jornalismo Literário da Companhia das Letras tem publicado vários títulos clássicos desse período. Fonte: www.edvaldopereiralima.com.br.

Perfil

Gênero de origem incerta, desenvolvido, aperfeiçoado e disseminado para todo o jornalismo a partir da década de 1920 na revista The New Yorker, nos Estados Unidos. Busca traçar um retrato detalhado de personagens famosos ou anônimos, individualizando a compreensão mais ampla possível do ser humano em destaque em cada matéria. Nos melhores casos, intuitiva ou conscientemente, os bons autores de perfis fazem uma leitura dos personagens que revelam características psicológicas e comportamentais importantes, além dos aspectos mais concretos do que fazem e como vivem. Expõem, assim, a complexidade real típica de uma vida humana, rompendo os estereótipos limitantes que normalmente camuflam as pessoas nos veículos de comunicação de massa. Teve um salto de qualidade histórico com Frank Sinatra Está Resfriado, de Gay Talese, publicado originalmente em abril de 1966 na revista Esquire, reproduzido em seu livro Fama & Anonimato (Companhia das Letras). Fonte: www.edvaldopereiralima.com.br.

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